Um amigo meu comentou aquela velha frase relacionada ao surf, “não há nada que um bom dia de surf não cure”, questionando os motivos pelos quais outros esportes também não podem possuir o dom da cura. Tive que explicar…
Em primeiro lugar o surf não é praticado em um ambiente estático, fechado e com regras definidas. O surf é um esporte de ação que envolve uma série de diferenciais em relação a outras práticas, com ênfase em seu envolvimento total com a natureza. Conheço surfistas que tem a maior dificuldade em definir a sensação que possuem ao estar no mar, apenas sentados em suas pranchas esperando uma onda entrar. Dizem que é emocionante, que a cabeça fica longe dos problemas do dia a dia, que o envolvimento com as forças da natureza são indescritíveis e que o visual do mar com o horizonte, com um peixe pulando, ou o sol brilhando na superfície azul do mar é algo fenomenal.
Imaginem quando tudo isso se mistura a sensação de se fazer um drop, dar uma boa cavada ou fazer aquele tubo. Realmente aí, é algo quase inexplicável…
Mas mesmo sendo um surfista com certa experiência ao longo de quase 35 anos remando por estes mares, não acho correto afirmar que somente o surf possui o dom da cura para os nossos piores problemas. Acho que outros esportes e outras atividades de lazer também podem ter o mesmo efeito. Tudo depende da paixão e da intensidade com que nos entregamos ao que fazemos. O trabalho, por exemplo, pode e deve ser uma atividade que cura, que nos faz sentir bem, eis que é através dele que conseguimos sobreviver e fomentar outras realizações, como o surf, por exemplo.
Já imaginaram o que sente um pára-quedista, um voador de asa delta, um esquiador, um mergulhador ou mesmo um jogador de bolinhas de gude? É verdade, cada um pode sentir fortes e inexplicáveis emoções fazendo aquilo que gosta. O lance do surf é que ele mexe muito com nossa cabeça mesmo quando não estamos dentro d’água. Tanto é assim que o surf virou uma indústria gigante, criou um estilo de vida que é consumido por pessoas não surfistas pelo mundo todo, inclusive por aquele voador de asa delta e o jogador de bolinha de gude.
O surf é sinal de malhação natural, de corpos saudáveis e mente aberta. O surf atrai gatinhas e gatonas e é emocionante de se ver. O surf é ecologicamente correto e seus praticantes sabem como ninguém o valor do meio ambiente para a vida eterna. O surf não tem cor, não tem credo, não tem barreiras e não tem dono. O surf vem da alma, com certeza…
O que estou falando aqui é o mesmo que falei com o meu amigo. Ele ficou pasmo, me olhando com uma cara de espanto pela pilha que eu peguei para falar do surf. Certamente minha jugular se exaltou e meus olhos brilharam. E quando eu percebi sua admiração, completei dizendo que o surf ainda tinha isso, ou seja, quando começamos a falar dele nos empolgamos como crianças falando dos seus melhores brinquedos.
Como um surfista educado, me vi obrigado a interromper minha defesa pelo surf e ouvir o que ele tinha a dizer depois daquele sermão todo. Ele simplesmente me disse que como eu era surfista eu iria defender a minha prática, e que mesmo respeitando minha posição, ele achava que outros esportes poderiam oferecer prazeres e realizações iguais ou bem superiores ao surf. E que meu discurso era muito romântico, algo parecido como um torcedor de time de futebol.
Foi aí que me veio a inspiração necessária para perguntar a ele, então, quem foi que havia criado aquela expressão que originou nossa conversa, em que meio ela foi criada. Ele silenciou, me olhou com certo ar de perdedor e reconheceu que o surf se destacava frente a outras atividades do gênero por ser ainda muito criativo para expressar seus sentimentos.
Depois daquela conversa percebi que havia instigado mais um amigo a entrar no maravilhoso mundo do surf. E tenho certeza que muito em breve ele saberá explicar melhor do que eu os motivos pelos quais, “não há nada que um bom dia de surf não cure”…
Bernardo Mussi – Blogueiro colaborador e patrocinador da parceria EasyDrop com a “Punho Forte“

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